24/01/2014

Os bebés da talidomida: uma geração vitimada pelos testes em animais

A talidomida é uma substância usualmente utilizada como um medicamento sedativo, anti-inflamatório e hipnótico e estreou-se no comércio farmacêutico na Alemanha no dia 1 de Outubro de 1957. Após ser testada em cães, gatos, macacos, hamsters e galinhas não foram revelados quaisquer efeitos colaterais, apesar da suspeita de que provocaria malformações nos humanos.
O medicamento foi prescrito a várias mulheres grávidas num total de quarenta e seis países e os primeiros casos das deformações congénitas causadas pela droga deram-se na Alemanha, no Reino Unido e na Austrália: os bebés nasceram com focomelia, uma anomalia que impede a formação normal dos braços e das pernas. Caracteriza-se pelo encurtamento dos braços do feto, tornando-os semelhantes aos de uma foca. Por vezes os ossos longos são inexistentes e as mãos e os pés prendem-se ao tronco através de ossos pequenos e de forma irregular.

Os mais de dez mil casos de focomelia derivada pela talidomida não atingiu os Estados Unidos da América pela persistência da farmacologista Frances Oldham Kelsey, por ter exigido ao fabricante testes mais complexos que comprovassem a segurança do medicamento. Mais tarde a droga foi testada numa raça específica de coelhos, que sofreram os mesmos sintomas hediondos.

A talidomida, entre outros medicamentos que arruinaram ou ceifaram mesmo a vida dos consumidores, é uma prova da ineficácia dos testes em animais e que é urgente abraçar alternativas mais seguras e sem crueldade.


Algumas delas são:

Bio-Ensaio de Neutral Red: este teste recorre a uma solução dissolvida em água que é acrescentada a uma colheita de células humanas normais numa caixa de cultura de tecidos. Uma medição computorizada do nível de absorção da solução indica existência de uma possível toxicidade da devida.

Cultura de células, tecidos e órgãos: considerada por muitos a melhor forma de investigação experimental na área da saúde, tanto para o ramo da farmácia como para o ramo médico. Com os avanços tecnológicos é agora possível manter as células de qualquer órgão de corpo vivo quase indefinidamente. Através deste teste já foi descoberto, entre outros, o mecanismo de crescimento dos nervos, o estudo da fisiologia dos nervos e as suas actividades eléctricas, o estabelecimento do número de cromossomas das células humanas - permitindo a conclusão de que a Síndrome de Down deve-se a um defeito genético - e o estudo de actividades hormonais. Esta técnica também teve uma elevada importância no estudo de vírus, causas de cancro e testes de toxicidade.

Ensaio de corrositex: utilizado para avaliar o potencial corrosivo ou inflamatório de certas classes de químicos. Usa-se uma barreira de matriz de colagénio - como se fosse uma espécie de pele artificial - e um indicador de PH para determinar o tempo necessário que a substância leva a penetrar nessa barreira.

Ensaio de irritação: utiliza-se um sistema de alteração proteica para ensaiar uma irritação. Modifica a matriz de proteínas, causada por materiais estranhos que revelam-se potenciais irritativos para o olho nu ou para a pele.

Epidemiologia: virada para o estudo de doenças, nas suas origens e nos seus métodos de propagação, o que permite tomar medidas para a prevenção de outras doenças. Comprovou a necessidade de esterilização em operações cirúrgicas e a capacidade de alguns tipos de químicos, drogas, tabaco, radiações, gordura, et cetera, causarem certos tipos de cancro. Foi com este teste que os meios de transmissão e a prevenção da Sida foram compreendidos.

EpiDerme: utiliza uma pele artificial derivada de células de pele normal cultivadas para um tecido tri-dimensional. Testa a irritação dermatológica, assim como estuda a absorção percutânea e ajuda na pesquisa dermatológica básica.

EpiOcular: semelhante à EpiDerme mas com um tecido semelhante à córnea ocular.

Farmacologia quântica: é uma técnica utilizada em Química, baseada em computador, para estudar a estrutura molecular das drogas e dos seus receptores no corpo. Este teste é usado em estudos de transmissores nervosos, hormonas, bloqueadores Beta, anestésicos, antidepressivos e muitos mais.

Método de difusão de agarose: determina a toxicidade dos plásticos e de outros materiais sintéticos utilizados em aparelhos médicos. Neste teste, células humanas e uma pequena quantidade do material que está a ser experimentado são colocados num contentor e separados por uma camada fina de agarose - um derivado da alga agar. Caso o material em teste seja irritante, surge à volta da substância uma cama de células mortas.

Modelos matemáticos e computacionais: prevêem o grau de irritabilidade de substâncias do teste com base nas estruturas e propriedades físicas e químicas. Tornaram possíveis os estudos e as previsões da acção de determinados medicamentos em diversos órgãos, permitindo mais desenvolvimentos nessa área. Alguns programas permitem a simulação da fisiologia natural de órgãos como o coração, bem como o controlo respiratório e a função renal.

Teste Epipack: utiliza folhas de células humanas clonadas para prever a reacção humana a um irritante da pele.

Para a leitura de artigos que refutam os testes em animais como sendo eficazes, seguros e necessários, clique aqui.

Recursos utilizados:

Libertação Animal, Peter Singer
Via Óptima, segunda edição


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