05/03/2014

Ovos: O horror da indústria e a sua substituição

Muitas pessoas desenham mentalmente uma vasta paisagem rural cheia de tons verdes e azuis, onde as galinhas são deixadas ao ar livre enquanto debicam no chão e sacodem as asas ao sol. Automaticamente, a compra e o consumo de ovos é classificado para essas pessoas como natural e inofensivo, já que o bem-estar animal é completado pela dignidade, pela liberdade e pela preservação da vida dos animais: afinal, as galinhas não necessitam de morrer para dar ovos.

Essa concepção errada começa prematuramente, quando na escola ou em casa são ensinados os vários animais de quinta às crianças com a ajuda das instruções devidas: os porcos e as vacas sorridentes numa quinta colorida com as galinhas empoleiradas nos seus dorsos. A imagem passada fica retida até a uma provável ruptura através da informação correcta. Infelizmente tal informação é forçadamente ocultada pelas empresas que lucram com a exploração dos animais, tornando-a quase inacessível já que quase ninguém procura questionar sobre o que está a comer. Assim, expandir a verdade é meio caminho andado para o cair do pano e revelar a realidade nua e crua que é a indústria de criação intensiva.


As quintas rurais são um mero conto de fadas. As galinhas transformam-se em meros objectos manufacturados e passam a curta vida delas num espaço fechado, cuja luminosidade é constantemente mudada: ora as galinhas são privadas do sono através do uso de luz intensa por mais de vinte e quatro horas na primeira ou segunda semanas, para que seja incentivado o aumento de peso, ora a luz pode ser reduzida ou até mesmo inexistente, na convicção de que as galinhas estão dispostas a alimentar-se melhor após um período de sono.
Devido ao nervosismo mórbido que este tipo de instabilidade e condicionamento acarreta para os animais, muitos produtores optam por cortar o bico das aves - debeaking, debicar.
Introduzida em San Diego nos anos 40, consistia primeiramente em queimar a parte superior dos bicos das galinhas, que rapidamente foi substituída por equipamentos especializados para o efeito, com forma de guilhotina e armados com lâminas quentes. O bico do animal é introduzido no instrumento e a lâmina quente corta-lhe a extremidade. O desbicar das aves é para evitar o canibalismo, a auto-mutilação e que os animais biquem os preciosos ovos. Todavia, as galinhas são extremamente dóceis e sociáveis; se tornam-se agressivas ao ponto de atacarem as outras galinhas, magoarem-se a elas próprias e destruírem os ovos, é indicador que o ambiente no qual estão inseridas não é de todo natural.

Os pintos que nascem dos ovos são imediatamente segregados pelo seu género: os machos, por não terem "valor comercial", são deitados fora. Algumas companhias gaseiam as pequenas aves, mas a maioria prefere livrar-se delas colocando-as num saco de plástico; a morte por asfixia é o resultado. Outros são atirados para uma máquina que tritura-os vivos; deste modo servem de alimento para as outras galinhas.
160 milhões de aves são mortas anualmente nas condições acima apresentadas, somente nos Estados Unidos.

As frangas - chamadas assim quando ainda não estão aptas a pôr ovos - são confinadas em espaços fechados ou deixadas em gaiolas. A criação destes animais em gaiolas é designada como battery cages. Ao longo do tempo os produtores aperceberam-se que podiam juntar mais galinhas numa só gaiola e assim obter mais espaço - ou seja, sinónimo de mais produção e menos perda de tempo na supervisão.
As gaiolas são, na maior parte das vezes, empilhadas umas por cima das outras, o que faz com que as galinhas que situam-se nas linhas mais inferiores levem com os excrementos das outras. Nas filas, as gamelas são enchidas automaticamente com comida e água. As gaiolas têm um pavimento inclinado de arame: essa inclinação dificulta bastante o equílibro dos animais, mas permite que os ovos rolem até à parte dianteira da gaiola, onde podem ser facilmente recolhidos. O arame também acaba por ser um obstáculo já que as galinhas não estão habituadas a tal material, o que provoca ferimentos muitas vezes graves.
A alimentação é basicamente forçada e repleta de antibióticos e hormónios, o que acaba por ser prejudicial para o próprio ser humano.
Após um ano de tortura intensa, as galinhas são consideradas "inúteis" e abatidas. Os seus corpos são desfeitos de modo a esconder as nódoas negras, as penas e as fezes dos consumidores. Muitas são incluídas em rações para outros animais de criação.

Estes animais não conhecem a dignidade, a felicidade e a liberdade. Este tipo de criação intensiva visa somente lucrar o máximo possível e não zela pelo bem-estar das galinhas. Mesmo que se importassem e tentassem mantê-las o mais confortável possível, no fundo todos nós sabemos que é errado utilizar um ser vivo senciente para o nosso benefício e que podemos perfeitamente recorrer a produtos que não implicam a exploração dos outros. Os ovos podem muito bem ser substituídos por ingredientes de origem vegetal, tornando as receitas ainda mais saudáveis.

Um ovo é igual a:

Duas colheres de sopa de amido de batata: eficiente para dar liga a massas;
1/4 de chávena de ameixas secas e amassadas;
1/4 de chávena de puré de maçã: ideal para sobremesas;
Uma banana amassada: recomendado para dar uma textura mais grossa a sobremesas. Se desejar uma textura mais fina é só adicionar meia colher de chá de fermento;
Duas colheres de sopa de água + uma colher de sopa de azeite + duas colheres de chá de fermento;
1/4 de chávena de puré de batata: para dar liga;
Uma colher de sopa de semente de linhaça em pó + três colheres de sopa de água. Deixe os ingredientes em lume brando até ferver;
Uma colher de sopa de ágar-ágar em pó + uma colher de sopa de água. Bata a mistura, deixe arrefecer no frigorífico e seguidamente bata de novo.

Note bem:

Escolha um substituto de acordo com o que deseja: dar liga à receita ou fazer a massa crescer. Também deve ter em conta que não é boa ideia utilizar um ingrediente mais doce (como a ameixa) para um prato salgado.

Não alimente o sofrimento e risque o consumo de ovos da sua dieta.

Recursos utilizados:


Libertação Animal, Peter Singer
Via Óptima

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