15/08/2014

Nos bastidores da violência: A ferra


A ferra faz parte do processo de identificação dos animais. A tradição em Portugal ordena que equinos e bovinos sejam ferrados a fogo.
No chamado gado bravo de lide funciona assim:


Imobilização – Por uma das formas seguintes:

Alguns rapazes agarram o bezerro ou garraio pelas orelhas ou pelas ilhargas e derrubam-no. Caído no chão, são-lhe amarradas as patas (como no vídeo cuja ligação está indicada no final do texto desta publicação);

O animal é imobilizado numa jaula, vulgarmente designada por caixão da ferra, sendo a sua cabeça presa numa abertura de uma portinhola. Fica com o lado esquerdo do corpo encostado a uma placa, preso por duas cordas ou por correntes amarradas no tronco, sendo ainda agarrado pelo rabo.


Marcação com ferros em brasa

São feitas as seguintes marcações, todas elas do lado direito:

Nádega - Ferro da ganadaria, como símbolo da casa onde nasceu o bovino, que tem as iniciais do ganadeiro ou o brasão de família;
Dorso - Número de registo;
Espádua - Último algarismo do ano em que nasceu;
Pescoço – Letra da associação de criadores de touros em que a ganadaria a que pertence o bovino está inscrita; no caso de Portugal, a letra P (ferro da Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide).


Cortes nas orelhas: um extra frequente

Aproveitando a imobilização do animal, não é raro que se façam vários cortes nas orelhas com uma faca afiada. São feitos desde furos a rasgos, que chegam a dividir orelhas em duas partes. O intuito (dizem) é as marcas serem uma espécie de assinatura, que difere de ganadaria para ganadaria.


Dores e infecções

A marcação com os ferros em brasa provoca dores insuportáveis, por não ser utilizado qualquer tipo de anestesia ou analgésico. A extensão e profundidade das queimaduras provoca feridas que acabam muitas vezes por infectar, pois também não é administrada medicação que vise prevenir futuras infecções.

Momento da vida

Os animais são marcados por este processo quando ainda são muito jovens, tendo alguns menos de um ano de idade. Em Portugal, a época Outubro-Março é a mais escolhida.


Separação forçada entre mães e filhos

Em grande parte das ferras, os jovens bovinos acabaram de ser separados, pela primeira vez, das suas respectivas mães e nunca mais as voltarão a ver.


Dia de ferra, dia de festa!

Assistem quase sempre muitos convidados e o ambiente é festivo.
Pode visualizar um exemplo aqui.



Via Marinhenses Anti-Touradas (blogue e facebook).
Veja os artigos restantes no álbum original.
Imagem | Fonte

2 comentários:

  1. Nossa, infelizmente essa é uma realidade muito triste ainda.
    E o que dizer desse vídeo? Se for parar pra pensar, tem certas coisas que são nitidamente doentias.
    Uma coisa, é a alimentação onívora. O acesso a informação ainda é muito restrito, e não tem como mudar o hábito alimentar das pessoas de uma hora pra outra.
    Outra coisa é existir celebração na hora de marcar um animal com ferro quente, assistir um idiota furando um touro em um estádio, caçar um animal por diversão e vestir peles de animais por status.
    Na boa, o ser humano é meio idiota '-'

    Adorei esse post, e amei o seu blog! Grande beijo Mel!
    Sim, sou vegana!

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    1. Olá Thallita,

      infelizmente em Portugal estes hábitos são por demais. Os apoiantes destas atrocidades insistem em desmentir as ditas, mas o vídeo está à vista de quem quiser comprovar a veracidade dessa doença chamada indiferença.

      Passa por aqui sempre que desejares :)
      Um beijinho*

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