19/07/2016

Veganismo e problemas de saúde: O novo 'argumento' especista



VEGANISMO, SAÚDE E SENSACIONALISMO

Manchetes como estas têm-se tornado cada vez mais comuns e, por coincidência ou talvez não, numa altura em que o movimento vegano tem vindo a aumentar: a associação de problemas graves de saúde com uma alimentação sem componentes de origem animal é a nova arma para continuar a desinformar, monstrificar e desvalorizar o veganismo.

É importante salientar que o veganismo não é uma dieta: é uma filosofia que defende a existência dos direitos naturais dos animais e que recusa a exploração dos mesmos, o que leva, obviamente, a uma alimentação vegetariana estrita. Vários especialistas defendem que esse tipo de alimentação, quando bem pensada, consegue ser benéfica para a saúde, evitando problemas mais graves como diversos tipos de cancro, problemas cardiovasculares, pressão sanguínea, osteoporose e até mesmo diabetes. Os grupos que precisam de mais cuidado a nível nutricional, como as gestantes, bebés e crianças podem também usufruir desse tipo de alimentação sem quaisquer problemas: a chave está na informação, pelo que uma pessoa que desconhece o que deve comer e o que pode fazer para enriquecer os seus pratos deve solicitar ajuda adequada.

Os jornais estão cada vez mais tendenciosos, procurando distorcer casos de negligência ao atribuírem as culpas ao veganismo. A alimentação vegetariana estrita não mata: o que mata é o descuido, a despreocupação e a total indiferença para com uma vida. Milhares de crianças falecem todos os dias por causa do desleixo na alimentação e, no entanto, a comunicação social só liga os holofotes quando se trata de uma alimentação vegetariana ou vegana.
Assim como o caso da menina de dois anos que foi internada nos cuidados intensivos (e que, contrariamente ao que os jornais estipularam, não é vegana), imensas crianças sofrem problemas de saúde independentemente daquilo que comem; em Portugal, por exemplo, estima-se que uma em cada três crianças sofram de obesidade. A obesidade é clinicamente reconhecida como uma condição médica potencialmente geradora de doenças graves: mesmo com o visível problema de obesidade infantil no nosso país, nenhum indivíduo e nenhum jornal acusa os pais de negligência. Afinal, chama sempre mais a atenção publicar uma notícia de um caso particular, derivado de uma alimentação que ainda é "estranha" e mal aceite pela maioria. Deste modo, uma situação bem menos frequente do que o verdadeiro flagelo que está a assolar a saúde infantil acaba por ser mais criticada e mais condenada, ao mesmo tempo que se insiste em maus hábitos que, igualmente, prejudicam a saúde.

A alimentação vegetariana estrita também tem sido constantemente ligada a episódios de fraqueza extrema e que, no pior dos casos, pode levar à morte: a tragédia ocorrida com uma alpinista australiana é o exemplo que mais suscitou polémica. Maria Strydom sucumbiu a problemas de saúde relacionados com a altitude, depois de ter sido forçada a voltar para trás quando já estava na recta final do percurso para atingir o cume do Evereste. Os comentários não fizeram-se esperar e os próprios jornais que divulgaram a notícia davam a entender que o estilo de vida vegano da vítima foi responsável pela sua morte.
Apesar de várias pessoas terem perecido às mãos do Evereste no mesmo período, também com complicações de saúde, só Maria Strydom teve a sua alimentação discriminada e só a sua morte foi exaustivamente noticiada – enquanto dois alpinistas, igualmente veganos, conseguiram atingir o topo da perigosa montanha e o feito não foi sequer alvo jornalístico.
Por último, Strydom faleceu por conta da doença da altitude, mais conhecida por mal da montanha – um problema que pode atacar qualquer um, seja qual for a sua idade, alimentação, sexo, experiência ou força.

The Guardian



"O VEGANISMO É UMA EXPRESSÃO ENGRAÇADA PARA ANOREXIA"

O veganismo tem sido apontado como responsável de distúrbios alimentares como a anorexia. Em Fevereiro deste ano, uma psicanalista associou a dieta vegetariana estrita a essa doença no programa Bem-Estar da Globo. Segundo a própria, tudo começa com o corte dos hidratos de carbono, passando para o corte da carne, transitando para o vegetarianismo, depois para o veganismo e, no fim, a pessoa acaba por não comer nada.

Veganismo não é sinónimo de querer emagrecer e, muito menos, um sinal de distúrbio alimentar; quem é vegano tem plena consciência disso, mas quem não é e/ou pouco sabe sobre o assunto, veicular isso, ainda por cima num canal televisivo, pode ter consequências graves.

A falsa ligação entre vegetarianismo e anorexia deve-se pelas pessoas anorécticas, regra geral, cortarem primeiro na carne por considerarem-na mais calórica – mas, enquanto o vegetarianismo é um tipo de alimentação, a anorexia é a rejeição de todo e qualquer tipo de alimento, seja ele de origem vegetal ou de origem animal.
Existem várias causas que conduzem a pessoa para este perigo: relação distorcida com o próprio corpo (dismorfia), bullying e incapacidade de integração num determinado grupo são as principais, mas transtorno obsessivo compulsivo e abuso sexual também estão incluídos. Stress e ansiedade imensos também podem levar a episódios que começam com falta de apetite e desenvolvem-se para um distúrbio alimentar - ou seja, a alimentação, seja ela qual for, não desencadeia a doença.

Jovem supera anorexia com alimentação vegana



UMA ALIMENTAÇÃO VEGETARIANA PODE SER SAUDÁVEL

Conhecer os alimentos, bem como os nutrientes neles presentes, é o primeiro passo para uma alimentação sem crueldade. Como estamos habituados a comer animais, é normal não sabermos muito bem como proceder e sentir que estamos a cometer um risco: os títulos engarrafados de várias notícias, que apontam para a falta de proteínas e outros nutrientes vitais numa dieta vegetariana também não ajudam nada, mas sejamos realistas; se esta alimentação fosse realmente perigosa a sua prática seria impossível.
Actualmente, milhões de pessoas são veganas e muito saudáveis: só na Alemanha, o veganismo subiu 800% e no Reino Unido 350%. A procura de hambúrgueres, salsichas, bifes, iogurtes e queijos 100% vegetais também aumentou bastante, dando origem a novas empresas e a novas marcas: agora é bastante acessível conseguir esse tipo de produtos, sem contar com a acessibilidade ainda maior dos alimentos vegetais convencionais, como os hortofrutícolas, frutos secos, leguminosas e sementes.


Ligações úteis:

Cálcio na alimentação vegetariana
Excluir o leite de vaca vs Carência de cálcio
A importância do iodo
A importância das vitaminas
Importância e fonte dos ácidos gordos essenciais
A questão dos ómegas
Proteínas
B12
Zinco
Vitamina D
Fontes de ferro
Ferro na dieta vegetariana

Leite de vaca e cancro da próstata
Resistência aos antibióticos e animais usados para consumo
Cálcio e ossos fortes
Endometriose
A soja e a saúde
Nutrição infantil
O stress e a alimentação

Alimentação vegana e os seus benefícios para a saúde
Vegetarianismo e alergia a soja e frutos secos
Iniciação ao vegetarianismo
Blogues de culinária vegetariana

4 comentários:

  1. Eu não sou super entendida no assunto mas:

    "O VEGANISMO É UMA EXPRESSÃO ENGRAÇADA PARA ANOREXIA"

    Revela um desconhecimento e uma ignorância profundamente infundado. Com uma breve pesquisa consegue comprovar-se exactamente o contrário desta afirmação. Imensos vegans, alguns até conhecidos, apontam o veganismo, e até a vertente raw do mesmo, como um desprendimento total da obsessão com as calorias, visto que o importante é nutrir o corpo com aquilo que ele realmente necessita, sendo a alimentação vegan a melhor forma de providenciarmos ao nosso corpo energia e vitalidade de uma forma clean.

    Podemos concordar ou discordar escolhendo por em prática ou não esta filosofia, mas sair por aí a falar sem saber é grave.

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  2. Então depois traz review por favor :P

    Eu tenho anorexia nervosa e não sou vegan nem coisa que o valha. Tenho esta suposta doença por ter feito imensas restrições alimentares ao longo de algum tempo. De facto, este tipo "novo" de alimentação pode perfeitamente despoletar doenças idênticas.. :/

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  3. Bom dia :)

    Sim, eu li, respondi e agradeço muito **

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  4. Não sou vegetariana mas nos ultimos tempos tenho alterado a minha alimentação para uma versão que seja mais clean para o meu organismo. O meu consumo de carne é muito raro mas infelizmente ainda consumo peixe. Não quero que nenhum ser sofra ou tenha de morrer para eu me alimentar quando tenho noção que existem para mim outras alternativas.
    Os medias deviam falar sim mas era no quanto prejudicial é o consumo de carne para a nossa saúde e para o planeta. Não sou expert !!
    Os interesses ainda controlam este mundo e isso dificilmente mudará!
    bjs
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