10/10/2017

"Não posso tornar-me vegetariano porque não gosto de vegetais"


Algumas pessoas têm relutância em fazer uma transição alimentar estritamente vegetal porque não gostam desta verdura ou daquela leguminosa: o receio de que a mudança para uma dieta vegetariana fique, por causa desses desgostos, demasiado restrita acaba por tornar-se num obstáculo que, inicialmente, achamos impossível de contornar.
Foi o que aconteceu comigo: quando resolvi parar de comer animais a primeira dúvida que me surgiu foi "E agora? Como vou fazer isto se não gosto de 99,9% dos alimentos que existem neste glorioso planeta?"

É verdade: eu não gostava de legumes nenhuns. Leguminosas, então, nem vê-las. Senti que esse entrave podia trazer-me problemas mas, com alguma informação, consegui operar uma metamorfose que levou a alimentar-me muito melhor do que antes. A partir do que experimentei, quando deixei de comer produtos de origem animal, posso referir que comecei a sentir o sabor dos alimentos de outra forma: como o meu organismo encontrava-se em processo gradual de desintoxicação, ingerir determinados alimentos que outrora repudiava conferia-me uma sensação de bem-estar. Aprender a confeccioná-los de uma maneira que nos leve a gostar mais deles também ajuda bastante: por exemplo, detesto agrião cozido mas como-o muito bem salteado e até mesmo cru. Em suma, é uma questão de descobrir e inovar o modo como preparamos o que comemos até conseguir alcançar um ponto de compatibilidade: pode parecer difícil inicialmente mas depois torna-se tudo mais simples e bem saboroso. Experimentar vários temperos e ervas aromáticas, grelhar e saltear em vez de cozer, misturar com outros alimentos ou picá-los muito bem, fazer puré com algum legume que não apreciamos muito... há sempre maneira de contornar a situação.
Eis algumas ideias:


Invista em molhos e marinadas

É uma estratégia óptima para quem quer camuflar o sabor de determinados alimentos. Molho de soja, de tomate, de ervas, pesto, sumo de limão, caldo de legumes, vinagre de amora... as opções são infinitas. Um bom molho barbecue caseiro faz maravilhas e fica mesmo bem com seitan grelhado, acompanhado com puré de couve-flor, salada fresca e espargos.


Livros nunca são demais

Outro elemento essencial para aprendermos a amar alimentos que não apreciamos é um bom livro de receitas. No meu tempo (inserir voz dramática) não havia livros de receitas vegetarianas de qualidade, o que tornava as coisas um pouco mais rebuscadas. Actualmente já não é o caso e conseguimos encontrar, com relativa facilidade, um bom guia culinário com ideias simples e saborosas. Veja alguns livros aqui.

Também pode pesquisar por receitas em sites e blogues de culinária vegana, onde encontrará milhares de receitas saborosas e sem crueldade. Made By ChoicesDicas da OksiNot Guilty PleasureCompassionate Cuisine e The Portuguese Vegan são alguns deles.


Disfarce o que não gosta

Para além de podermos saltear em vez de cozer e aplicar molhos e marinadas em alimentos que não gostamos, podemos fazer o mesmo através de smoothies. Apesar de ser uma forma de ingerir nutrientes importantes, é preciso ter em conta que um smoothie não substitui uma refeição completa.






Também vale a pena frisar que um vegetariano estrito não come só vegetais. A alimentação vegetariana consegue ser muito saborosa, saudável e ainda mais variada do que a alimentação dita omnívora.


+ dicas:

PDF com 40 receitas veganas
Lista de compras para iniciantes
O que é o veganismo?
O que é o especismo?
Veganismo e falsos argumentos sobre saúde


Imagem | Tumblr

12 comentários:

  1. Sabes, eu também me deparei com esse problema em tempos. Pensava cá para comigo: «raios me partam às cenouras, às verduras e a tudo o resto?! Acontece que agora como tudo sem levantar uma objecção que seja. Já comi legumes de várias maneiras: em folhado, em empadão, crus e sabe-me tudo divinalmente. É mesmo uma questão de hábito, de consciência e de ética.

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    1. Também devemos ter em conta que, regra geral, não somos propriamente bem alimentados desde a infância e isso só ajuda a adquirirmos aversão a hortofrutícolas. Isso é reflectido nos próprios desenhos animados, em que as personagens adoram comida vazia e carregada de produtos de origem animal, ao passo que não gostam de um prato de legumes ou até mesmo de uma peça de fruta.

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  2. O segredo está mesmo em encontrar estratégias que funcionem connosco.
    Adorei ler estas dicas!

    r: Não conhecia essa edição, muito obrigada pela partilha :)

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  3. Sabes que pensei quase o mesmo quando comecei? Por acaso, eu sempre comi mais legumes lá em casa.. Era capaz de ter carne ou peixe no prato, mas havia sempre legumes no prato e nunca disse não à sopa (só se não gostasse mesmo).. Mas pensei no primeiro mês que não iria conseguir.. Por pensar que estava a ingerir pouco de proteína ou mesmo ferro. Até que fiz logo exames.. E graças a Deus, não tinha nada baixo.. Então foi aí que abracei a 100% a minha decisão e disse "finalmente é desta que vou conseguir ser vegetariana". E com 3 meses, posso dizer que ainda não senti a saudade de comer nada de animais..
    Adorei as tuas sugestões, sem dúvida que para aqueles legumes mais que tal, o disfarce dos molhos ou até o próprio prato ajude a comer-los.
    Um beijinho Grande*

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  4. Olha, adorei estas dicas e concordo imenso! Não estou a pensar tornar-me vegetariana, mas tento muitas vezes moderar o consumo de carne e nem sempre é fácil arranjar alternativas saborosas. Também sempre fui muito esquisita, mas isso passou quando comecei a cozinhar para mim... Não sou eu que não gosto das coisas, não gosto é da forma como as cozinham cá em casa.

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    1. Olá i.,
      Tenho artigos onde listei vários motivos para deixarmos de comer animais, desde éticos, ambientais, sociais e de saúde. Obviamente que foco-me mais nos motivos éticos, visto que os animais são comprovadamente sencientes, mas para não perderes muito tempo em leituras convido-te a ver o documentário principal desta página: http://despertar-da-ataraxia.blogspot.pt/

      Beijinho*

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  5. Quem não o faz é por preguiça e falta de convicção. Contra mim falo.

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  6. As pessoas ao invés de se quererem informar, querem é não pensar no assunto, não se esforçar e está bom. Contra nós falamos. Eu (Telma) ando sempre a tentar não comer carne. Mas como peixe. Como se os peixes também não fossem seres vivos.
    Eu (Pedro) gostava, mas sou carne fraca. Mas ao menos admito, não me escondo atrás de conceitos e desculpas.

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  7. Boas dicas! Na verdade eu sempre gostei mais e preferi os vegetais à carne e ao peixe por isso não me custou nada fazer a transição para vegetariana! :)

    http://purflefox.blogspot.pt

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  8. Desde pequena que não consigo comer vegetais, mas se forem disfarçados, por exemplo na sopa triturados, consigo. Não sou vegetariana, ainda, mas para lá caminho a pouco e pouco.
    Beijinhos
    http://universodamarta.blogspot.pt

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  9. Tenho uma prima vegana e admiro-a imenso por isso, principalmente porque mais ninguém na família o é e muitas vexes a pressionam, eu acho lindo o facto de ela ter tanta força de vontade. Eu gostava da a ter, mas não sei mesmo o que comer sem carne, detesto saladas.

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    1. Olá Pepper,

      Há muitos vegetarianos/veganos que odeiam saladas :) Porque não aproveitas as dicas que deixei neste artigo e experimentas fazer algumas delas?
      Também pensava assim: não sabia o que comer no lugar da carne, até que percebi que não preciso de "substituir" a carne ou outro produto qualquer de origem animal. Leguminosas, folhas verdes, tofu, etc., não são substitutos, são simplesmente outros alimentos. A chave está em saber como cozinhá-los. Há muitos sites de culinária vegana, incluindo portugueses: pesquisa por alguns :)

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